
Achou, por um dia que fosse, que jamais voltaria a escrever de novo.
Para ela, parecia ter secado a fonte dolorosa de tanta inspiração, escoamento de um amor, quem sabe... Mal vinha ao caso, agora. Mas o fato é que muito triste seria, se assim o fosse. Se tudo o que fora escrito ali em parcos 15 minutos por vez, representassem, não tão somente assim um árduo processo de cura.Um perdão, um recomeço.
Seria justo começar a sentir falta daquela inspiração dolorida, não pela dor, mas pelo potencial criativo que ela expressava! Qual a perda necessária se aquilo definitivo fosse? A inspiração, por certo seria a resposta.
Seria então impossível desbravar um universo desconhecido de inspiração, movido agora pela serenidade, pela tranqüilidade e por uma alegria que alimenta a alma..?
Deixou aquelas reflexões complexas e profundas de lado por uns instantes.... por mais que percebesse o mundo a se transformar em sua volta, sabia que não conseguiria parar para escrevê-lo naquele momento.
Deixou o mundo em banho Maria, enquanto transitava entre o agir e o sentir.
Enquanto percebia o por do sol, o frequente arco-íris, o nascer da lua na varanda, engradada e protegida por símbolos de orixás, enquanto escolhia um acarajé, enquanto conversava com Fina.
Deixou o teclado de plantão, porém, para quando a inspiração voltasse. Guiada pelas luzes de um carnaval sereno, cujo som se ouvia distante e já bastava ao turbilhão das grandes avenidas.
O pedido aos céus, um único – “ensinai-me, pois, a fazer diferente” - Era sempre assim, quando a aguçada percepção, sensibilidade, a Vasalisa ou que nome se quisesse dar, avisava que algo podia se repetir.
Pedido feito, pedido aceito! Diferença que começava no sentir.... o agir diferente, vinha, portanto, do natural.
